A tradição atribui a fundação do Mosteiro
do Salvador de Travanca a Garcia Moniz, filho de Moninho Viegas, o Gasco, na
segunda metade do século XI.
Ao longo da Idade Média, Travanca mostrará uma influência relevante no controlo
económico, político e religioso da região, fosse por doações ou pela zelosa
administração dos seus bens.
O instituto integrava então a Terra de Sousa, tendo permanecido no concelho de
Ribatâmega, apesar de ter sido coutado por Dona Teresa em 1120.
No século XIV destaca-se por ter contribuído com a elevada soma de 1800 libras
para o imposto extraordinário a favor das Cruzadas.
Este Mosteiro esteve sob a gestão de abades trienais beneditinos até finais do
século XV ficando, a partir de então, sujeito aos abades comendatários cujas
comendas terminaram no ano de 1565.
Destes abades conhece-se o nome de pelo menos sete, todos titulares ou filhos
de titulares da nobreza maior do reino como D. João de Castro, D. João de Faria
(e seu filho, Afonso), D. Gonçalo Pinheiro (bispo de Tânger) e D. Fulgêncio,
filho do duque de Bragança D. Jaime.
Após este período, o Mosteiro volta à gestão de abades nomeados trienalmente
pela comunidade, coincidindo com intensas atividades construtivas e
reconstrutivas até à sua extinção em 1834.

Após esta data, o Mosteiro cai na escuridão do esquecimento, voltando a viver
para a comunidade nos inícios do século XX, através das obras de restauro da
Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e a instalação de uma
dependência hospitalar nos seus espaços. Já nos inícios do século XXI adquiriu
novas funções, desta vez, para educar "os homens e mulheres
d’amanhã".
Apesar das dependências monacais remontarem ao século XI, a sua Igreja é do
século XIII, notabilizando-se no contexto do património românico português
pelas excêntricas dimensões e pela importância da sua ornamentação escultórica
dos capitéis.

De aludir, também, à extraordinária torre que ladeia a Igreja. Na Idade Média a
torre era entendida como símbolo de segurança e, na ausência de castelos, a
Igreja era a melhor fortaleza.
Independentemente da função a que se destinava, a natureza religiosa e uma
pretensa vontade militar são, nestes casos, indissociáveis. É, ainda, por esta
razão que a torre de Travanca tem de ser entendida enquanto elemento de
afirmação senhorial, ou seja, do poder de uma família sobre uma região.
A 17 de janeiro de 1916 o conjunto monástico é classificado como Monumento
Nacional, reconhecendo-se o valor patrimonial e histórico deste Mosteiro para
Portugal.
In Rota do Românico
Coordenadas Geográficas: 41° 16' 40.43" N / 8° 11' 35.21"
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