Sameiro de Penafiel
Santuário de Nossa Srª da Piedade
Fui lá há tempos, mas a alameda que lhe dá acesso estava
em obras, o que inviabilizou melhores fotografias.
Também o templo estava encerrado, daí não ter captado
qualquer foto do seu interior.
A sua iluminação noturna também permite excelentes fotos.
Voltarei lá.
Como será meu propósito, sempre que possível, ou se justifique, para além das minhas fotos, deixo ficar aqui alguns factos
históricos relacionados com este belo monumento, fruto de alguma investigação.
Segundo reza a história, começou a ser construído a 1 de Fevereiro de 1886, em memória da Nossa Senhora da Piedade e Santos Passos. Surgiu do esforço de duas confrarias penafidelenses: a de Nossa Senhora da Piedade e a de Santos Passos que se haviam fundido um ano antes para levar a cabo este empreendimento.
Foram desenhados vários projetos, mas todos acabaram por cair, principalmente por serem muito dispendiosos. O projeto que vingou custou 200 réis e foi oferecido pelo então presidente da câmara, Manuel Pedro Guedes, da Casa da Aveleda. Nele estava prevista a construção, para além da igreja, um pequeno hotel e um parque. Durante 15 dias foi posto á apreciação pública no salão nobre da edilidade. Fizeram-se várias colectas, reunindo fundos para o arranque da construção. Só em 1889, depois de um penafidelense, residente no Brasil, ter enviado uma avultada oferenda, se iniciaram as fundações. Foram muitas as interrupções das obras, por falta de verbas. Foram muitos também os que contribuíram. A Câmara teve sempre um papel fundamental doando terrenos envoltos ou expropriando aqueles mais difíceis de negociar.
Entretanto o ritmo das obras abrandou. Dois anos mais
tarde, a torre sineira fica concluída, após um legado testamental de 250 réis,
deixado pelo proprietário das Termas de Entre-os-Rios, também dono do Jornal
“Primeiro de Janeiro”, Gaspar Baltar. O carrilhão de sinos para esta torre só 9
anos depois é colocado, uma oferta de Rodrigo da Costa Babo.
Os recursos eram cada vez mais escassos e, aliado à morte
do grande impulsionador da altura, o Presidente de Câmara Manuel Pedro Guedes,
passa-se por um período de estagnação. A obra só reanima em 1920, com a criação
da “Comissão Pró-Penafiel”, constituída por “50 senhoras e 33 cavalheiros da melhor
sociedade elegante penafidelense”.No entanto, apesar de se terem organizado várias iniciativas lúdicas com vista a angariação de fundos, pouco mais serviu que não apenas o não deixar cair por completo o projeto.Até que, finalmente, em 1921, de visita à sua terra natal, Croca, aparece Zeferino Rebelo de Oliveira, grande empresário brasileiro e detentor de uma enorme fortuna. Acaba por se interessar pelo projeto e torna-se presidente da tal Comissão. Daí para a frente foi só ver crescer o Santuário.
Zeferino Oliveira acaba por falecer prematuramente, com 55 anos, em 1929, e o que estava por acabar, assim ficou.
A par do Santuário, embora mais timidamente, também o parque ia tomando forma e só por volta de 1930 se começou a parecer com aquilo que é hoje.
Em 1934, a Câmara, que entretanto havia relançado o projeto, inaugura o parque a que se dá o nome de Zeferino de Oliveira. Aliás já antes se havia pensado atribuir-lhe o nome mas Zeferino Oliveira opôs-se veementemente, ameaçando mesmo cortar com as verbas.
Um ano depois, as obras de acabamento no interior do
templo recebem novo impulso com o avultado donativo de cem mil contos, efetuado
pelo filho de Zeferino de Oliveira, Mário de Oliveira.
A Câmara municipal instala a iluminação exterior em 1936 e os altares mor e laterais só ficaram instalados em 1939.
Em
1959, setenta e três anos depois, é dado como concluído aquele que passou a ser
um dos cartões-de-visita de Penafiel.
Alguns postais antigos das diversas fases de construção:
A Câmara municipal instala a iluminação exterior em 1936 e os altares mor e laterais só ficaram instalados em 1939.
Alguns postais antigos das diversas fases de construção:
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